quarta-feira, 15 de janeiro de 2025

Novo mundo virtual



De vez em quando eu trabalho com projeção e iluminação em peças de teatro e shows. Em uma tarde de julho de 2024, eu estava andando em direção ao teatro Martim Gonçalves para assistir ao ensaio de uma peça onde eu iria trabalhar como operador de projeção. Ao lado do teatro existia um supermercado da rede Bompreço, e, naquele dia, eu vi uma senhora sendo agredida por um segurança do mercado. Na calçada, em frente aos muros do teatro, vários ovos estavam quebrados e espalhados pelo chão. Aquela senhora havia roubado uma placa de 30 ovos, foi perseguida e imobilizada pelo segurança do mercado na frente do teatro. Quando eu havia chegado, a cena já estava posta: a senhora gritava e chorava enquanto o segurança pisava em sua canela, esperando pela chegada da polícia. A perna daquela mulher era tão fina que parecia que a qualquer momento aquele segurança iria quebrá-la. Ao ver essa situação, eu perguntei o que havia acontecido para uma pessoa que já estava observando tudo há mais tempo e ele me respondeu: “Ela roubou esses ovos e o segurança pegou antes que ela fugisse. Mas ela é descarada, já fez isso várias vezes. Quando pegam, ela começa a gritar assim”. Eu observei aquela situação por mais alguns segundos, queria fazer algo, mas não fazia ideia de como intervir. Minha única reação foi me acovardar e ir para o trabalho que me aguardava.



Desde criança eu sempre sonhei com a possibilidade de viver em um lugar melhor, onde viver com dignidade não seria um artigo de luxo, onde a comida e a moradia fosse direito inegociável de cada ser vivo. Mas observar o comportamento da sociedade faz com que essa ideia se torne um sonho cada vez mais distante. Escapar do realismo capitalista é uma tarefa árdua e sofrida.


Mas e se fosse possível entrar em um mundo onde todas as coisas funcionam em função da nossa felicidade? E se fosse possível deixar de lado esse mundo onde somos obrigados a lidar com frustrações e sofrimento para entrar em uma realidade onde nada disso existe?


Esses devaneios ocorreram em minha imaginação depois de entrar em contato com óculos de realidade virtual. Estar em um lugar que só acontece diante dos seus olhos, mesmo que uma multidão esteja ao seu redor é algo muito sedutor. Não é à toa que grandes empresas de tecnologia apostam tanto no desenvolvimento de tecnologias para aprimorar a realidade virtual. Imagine quanto dinheiro seria possível gerar com cidadãos completamente imersos dentro do mundinho perfeito e privatizado da Meta, onde tudo funciona em favor do lucro da empresa. Parece assustador, mas e se essa “matrix” fosse mais interessante que o mundo de agora? Já convivemos com o celular integrando nossas vidas, sustentando empresas bilionárias com a nossa simples visualização de uma tela, nossas vidas poderiam começar a integrar essa nova realidade, onde tudo poderia ser mais colorido, mais agradável, mais perfeito.


Mas acho que eu já dei uma fuga total do tema. Tirando essas minhas especulações malucas da história, a realidade virtual é muito divertida. É como entrar em um quarto ou uma sala de cinema feita apenas para você e sem distância entre tela e espectador, parece um sonho acordado, uma realidade onde tudo acontece diante dos seus olhos e nada acontece com você.


Essa tecnologia abre portas completamente novas para a criação. A possibilidade de imersão torna a suspensão de descrença muito mais fácil, porque o espectador está coexistindo por alguns momentos com aquela realidade criada. Assistir a um filme em 360° com um óculos de realidade virtual subverte os padrões estabelecidos pela linguagem cinematográfica que nos é ensinada desde cedo, e pensar em novos caminhos para usar esses instrumentos é muito animador.


Viver um acidente em uma estação espacial e sair ileso disso pode ser uma experiência muito divertida:



Postagem de Matheus Araújo

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