Fui ao SSA Mapping no dia 12 de outubro de 2024. Eu nunca havia presenciado uma exposição de vídeo mapping na rua, aberta ao público. Aqueles efeitos visuais projetados no Mercado Modelo me chamaram a atenção da mesma maneira que um mosquito se atrai pela luz. Observar aquele prédio como uma grande tela que refletia projeções que brincavam, desmontavam e reconstruíam a sua estrutura foi uma experiência interessante nos primeiros minutos. Enquanto voltava meus olhos para o espetáculo, minha cabeça não parava de pensar no porquê da maioria daquelas artes. Não tive sucesso ao tentar imaginar respostas.
Em muitos momentos eu me sentia numa rave incompleta, muitas obras que enchiam os olhos, mas que me diziam pouco (não foi o caso de todas, mas aconteceu em muitas apresentações). Eu não queria trazer um tom de reclamação (evidentemente, ninguém tem a obrigação de criar algo para me dizer nada), mas ficar ao lado de todas aquelas pessoas, observando o prédio mudar de cor e aparência, me causava uma inquietação por não ser envolvido pelo momento.
Talvez minha fruição sofresse uma interferência pelo fato da minha presença no evento estar acompanhada do compromisso de escrever este texto, talvez fosse a minha dessensibilização causada por estar diante de telas brilhantes a todo momento, afinal, o audiovisual não tem mais a mesma aura de novidade e magia que carregava no seu início, antes, uma novíssima atração de parque de diversões, hoje, uma distração que nos faz encurtar o tempo de espera numa fila no caixa do supermercado.
A todo momento eu pensava: “esse projetor poderia estar pichando esse Mercado Modelo inteiro”. Por que a pichação chama a minha atenção mesmo colocando em uma parede sinais muitas vezes indecifráveis para a maioria das pessoas? Por causa da quebra do padrão, do incômodo que cria revolta e curiosidade. Qual é a função da pixação? Será que o vídeo mapping consegue emprestar esse mesmo espírito de uma arte vândala? Qual o poder que uma projeção na parede carrega? E se ninguém estiver esperando que uma rua se torne uma sala de projeções? Quais novas histórias podem ser contadas fora da proporção 16:9? Ainda não sei responder nada disso, mas acho que o berço dessas perguntas é essa vontade de estilhaçar o padrão em muitos pedacinhos.
O vídeo a seguir é um acidente de percurso depois de muito procurar sentido nos meus registros:
Texto: Matheus Emanuel Moreira de Araújo
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