quarta-feira, 23 de outubro de 2024

Sasha Velour: A Fusão de Vaudeville Clássico com Projeções e Tecnologia Audiovisual

     

Sasha Velour:

A fusão de vaudeville clássico com projeções e tecnologias audiovisuais


Sasha Velour perfomando no seu espetáculo Smoke & Mirrors

    Quando parei para pensar sobre o que queria falar a respeito de projeções, muitas coisas me vieram à mente. Pensei obviamente em ir para o SSA Mapping que a professora havia sugerido, mas por causa de um imprevisto eu não pude ir ao evento.   Depois eu percebi que diversos artistas que eu consumo utilizam de projeções nas suas performances. Cantoras como Björk e Beyoncé utilizam dessas tecnologias para fazer dos seus shows experiências mais imersivas e esteticamente deslumbrantes. Mas, apesar de artistas como essas terem um orçamento gigantesco para fazer tais projeções, ainda não era exatamente o que queria falar sobre o assunto. As belas imagens que preenchem o palco são apenas mais um dos elementos que compõem o espetáculo. Logo então me lembrei de uma artista que também faz uso de projeções, mas de uma maneira mais expositiva e criativa, unindo o teatro clássico com o avanço tecnológico de maneira orgânica.



A artista Björk com sua orcherstra em 2023 na turnê do álbum 'Fossora'.

    Em 2017, após vencer o famoso reality “Rupaul 's Drag Race”, a artista Sasha Velour torna-se um ícone na comunidade queer. Além de drag queen e performer, ela também é designer, escritora e produtora artística. Sasha possui um estilo caracterizado pela teatralidade e performances conceituais, se destacando por ter uma abordagem inovadora da arte drag. Ela é a mente criativa por trás da revista e do show NightGowns, um espetáculo de drag que celebra a diversidade e a arte performática de maneira intimista e elaborada. Além disso, também é ativista e usa sua plataforma para defender causas LGBTQIAPN+ e promover a expressão de gênero sem barreiras.

    Decidi falar um pouco sobre seus shows porque acho muito criativa a forma como ela utiliza projeções como recurso para realizar um show solo. Além do já mencionado NightGowns, Sasha também produziu os espetáculos Smoke & Mirrors e Intermission, sendo que este último foi trazido ao Brasil em  2023.

Sasha durante uma perfomance no show Night Gowns.

    Durante o show, a artista combina a arte drag com o ilusionismo clássico do vaudeville transformando seu espetáculo em uma verdadeira obra de arte multimídia. As projeções digitais e outros elementos audiovisuais integrados com a performance ao vivo, criam uma atmosfera que não apenas complementa, mas expande a narrativa. Essas tecnologias permitem que a artista crie cenários onde o palco se transforma diante dos olhos do público, se inspirando em técnicas antigas de criação de cenários onde a estética minimalista complementa a performance, sem distrações excessivas. Um exemplo que a inspira é a performance de Judy Garland em "Get Happy", que destaca o poder de um cenário simples e eficaz.

Judy Garland apresentou a música "Get Happy" em 1950 no filme "Summer Stock". Garland interpretou a canção para simbolizar um momento de renovação e energia, após um período pessoal desafiador, trazendo alegria e entusiasmo à sua personagem e ao público.
    
    A fusão entre o tradicional e o tecnológico também se manifesta nas mudanças de figurino e nos efeitos de iluminação, que interagem com as projeções para contar uma história visual rica e impactante. Sasha Velour possui uma paixão pelos truques de palco tradicionais, e homenageia o legado de teatros antigos que recebiam mágicos, estrelas do vaudeville e performers drag, conhecidas por suas revelações de figurino. Em treze números de lipsync coreografados por ela mesma, Sasha apresenta um desfile de personagens tecnicolor representando diferentes aspectos de sua identidade drag, transformando um monólogo em uma fantasia viva repleta de visuais hipnotizantes e surpresas.

Sasha Velour em Smoke & Mirrors

    Cada momento dessa produção meticulosamente concebida e executada por ela de maneira honesta, profunda e memorável, convidando o público a mergulhar em uma narrativa que explora as complexidades da identidade, do luto, da fama e da comunidade. O que eu acho mais legal, é que o uso dessas inovações não é apenas estético. Sasha faz uso delas para explorar questões profundas sobre gênero e identidade, desmascarando as ilusões sociais e desafiando as convenções. Seu espetáculo é mais que um show. É um convite à reflexão e à celebração da autenticidade, quebrando barreiras do binarismo de gênero e celebrando drag com uma arte contemporânea de ilusões.

Sasha Velour em Smoke & Mirrors





Postagem de
Gabriel Leite :)

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