quarta-feira, 15 de janeiro de 2025

Algo nunca antes visto

Eu entrei no BI em Artes por causa da área de concentração em Cinema. Decidi estudar cinema por puro gosto, meu sonho era ser diretor de filmes e viver disso. Logo no meu 2º semestre eu deixei esse sonho parcialmente de lado (e isso não é algo triste), mas eu tinha um desejo, mais profundo, mais complicado. Quando eu decidi ingressar no meu atual curso, uma das minhas maiores vontades era criar “algo nunca antes visto” (muito despretensioso, não é?), mas, conforme o tempo foi passando, eu fui percebendo que talvez não fosse mais possível criar algo totalmente novo, do zero, nunca antes imaginado ou visto por ninguém, parecido com nada que já existiu, tendo em vista que antes mesmo do meu nascimento, alguns milênios de conhecimento humano já haviam sido acumulados e convertidos em todo tipo de elemento que integra a nossa e tantas outras culturas. Imaginar que seria possível realizar uma criação totalmente nova de maneira 100% autônoma talvez fosse um pouco de exagero na loucura. Mas, quando eu fui para a 10ª aula do componente Arte e Mundo Digital, que aconteceu no dia 04/12/2024, ministrada pelo artista Bruno Rohde (ou Indizível) no PAF V da UFBA, eu percebi que existia a possibilidade de enxergar esse antigo sonho por outra perspectiva.


Indizível mostrou para a turma um pouco do seu percurso de vida, tendo a sua arte como assunto principal. Aquele pequeno espaço de tempo onde aconteceu a aula me fez enxergar possibilidades de interação com a arte que até então não haviam sido apresentadas para mim (ou que eu nunca tinha prestado atenção antes). Ver que era possível criar instrumentos, cada um com seu som único, que poderia ser mudado pelo toque do seu dedo ou pela ação de conectar mais de um instrumento através de um cabo me deixou fascinado. Pensar que a possibilidade de construir um instrumento único, sem exemplares iguais em som e aparência me fez relembrar a época da minha infância onde eu construía os meus próprios brinquedos e escolhia a criação ao invés de apenas usar aqueles brinquedos que já vinham prontos e embalados em uma caixa.


Além disso, enxergar o espaço virtual como um ambiente de criação quase ilimitada, onde é possível desenvolver as suas próprias linguagens e sua própria matéria prima de criação através de códigos de programação expandiu a minha percepção de quais instrumentos estavam disponíveis para que eu tivesse a possibilidade de criar, e se esses instrumentos não estivessem disponíveis, seria possível torná-los reais.


A maneira de interagir com a arte também pode ser reimaginada. Os shows onde as pessoas permanecem estáticas e apenas observam os músicos em sua performance podem ser reinventados. Os museus onde o contato com a obra não pode ultrapassar o olhar pode assumir outras perspectivas. A performance de Bruno chamada LARGO Jardinagem trás novas maneiras de interagir com aquilo que é apresentado como arte. As pessoas podem tocar naquilo que está sendo exposto e receber uma resposta sonora pela sua ação ou até mesmo falar algo no microfone e fazer parte da arte que está acontecendo no momento, e, de alguma maneira, todos que estão ali, juntos, naquele momento, também estão criando algo totalmente novo, nunca antes visto.


Postagem de Matheus Araújo



Nenhum comentário:

Postar um comentário