terça-feira, 10 de dezembro de 2024

Arte, Tecnologias Livres e Interatividade - Encontro com Bruno Rohde (Indizível)

         O encontro da semana passada (04 de dezembro de 2024) teve a participação do artista e professor Bruno Rohde, que trabalha com música experimental, tecnologias livres e interatividade. Bruno, que assina seus trabalhos atualmente como "Indizível", apresentou um pouco do seu trabalho e nos mostrou como produz suas músicas e peças visuais, assim como abriu à turma a oportunidade de experimentar com alguns dos instrumentos que ele produz para realizar seus experimentos sonoros. 

        A partir das apresentações de Bruno, percebi que já tinha tido contato com esse campo das artes anteriormente. Dos trabalhos mais recentes que vi, está a obra "Espada do Futuro", desenvolvida pelo LABICON/IHAC-UFBA e que integrou a exposição de reabertura do Museu de Arte Contemporânea da Bahia (MAC_Bahia). A obra consistia de algumas espécies de plantas conectadas a dispositivos, que liam as frequências emitidas pelas plantas e convertiam em algoritmos que alteravam, em cor e forma, imagens projetadas na parede, de acordo com o toque e a interação com o público. Bruno mostrou um de seus trabalhos que também envolve interações com plantas para provocar outras experiências sensoriais materializadas em arte.


            Dentre os trabalhos mostrados durante a aula, um dos que mais me chamou a atenção foi "SUB.URB". Nesta apresentação, Indizível realizou, ao vivo, experimentos sonoros com seus instrumentos de softwares livres. Junto a ele, estava em uma mesa ao lado o artista Adriano Magalhães (vulgo Fino), que manipulava, a partir dos sons produzidos por Indizível, um algoritmo de inteligência artificial para produzir imagens simultaneamente, que traduzissem sua interpretação da música que surgia ali no momento. Além do software de IA, Fino também integrava as imagens criadas pelo computador com imagens suas, capturadas por uma câmera, transmitidas para o computador e incorporadas à projeção pela inteligência artificial. Não pude deixar de pensar no uso da IA na arte, tema hoje tão discutido num contexto em que essa tecnologia tem sido usada para substituir o trabalho humano na criação artística. Ao meu ver, Fino demonstra brilhantemente como a inteligência artificial pode e deve ser usada a serviço do artista e de seus propósitos, considerando a volatilidade, imprevisibilidade e singularidade do trabalho resultante do uso das tecnologias livres para a produção de obras de arte. A inteligência artificial, aqui, não se apresenta como autora solene da obra, ou como um veículo de produção de arte despersonalizada, mas sim como uma ferramenta, um acessório, que ajuda o artista a manipular o material bruto que tem em mãos para atingir a imagem desejada.

        O encontro com Bruno Rohde foi muito rico e me despertou interesse em experimentar com softwares de criação e manipulação de vídeo e áudio mais ainda. É impressionante a gama de possibilidades artísticas que as tecnologias livres abrem para o fazer artístico.


Miguel Gouvêa Lordello

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