quarta-feira, 16 de outubro de 2024

Meu nome na UFBA

 Na aula do dia 16 de outubro, a professora Karla apresentou à turma o "GPS drawing", modalidade das artes ligadas ao mundo digital que consiste na inscrição de desenhos em um sistema de geolocalização, formado pelo registro de um determinado percurso no sistema. A professora nos explicou alguns pontos sobre o funcionamento dos dispositivos de GPS e nos mostrou alguns trabalhos de artistas que usam o GPS para formar desenhos e mensagens. Ao final da aula, fizemos experimentos coletivos e individuais pelo campus de Ondina, usando o registro do aplicativo Strava.

GPS drawing coletivo, feito como experimento de aula pela turma. Flor, 2024

Após nosso desenho coletivo, resolvi explorar as possibilidades do que poderia registrar por GPS por conta própria. Percebi que, às vezes, a percepção do espaço pode enganar na hora de desenhar um caminho visto de cima. Tentei algumas vezes desenhar uma estrela com várias pontas, partindo do centro da Praça das Artes, mas o mais próximo que alcancei de um resultado satisfatório foi uma imagem parecida com um coqueiro. 

Percebi que é necessário planejamento para um GPS drawing efetivo. Para, então, começar a fazer inscrições que me agradassem, teria que analisar por alto os caminhos que precisaria percorrer.

Ao ampliar a vista da Universidade no mapa do aplicativo Strava, percebi que ele indicava caminhos pela UFBA fáceis de serem identificados no plano real. Linhas retas e algumas diagonais poderiam facilitar a criação de desenhos mais simples, por ora. Tive a ideia de me voltar para algo mais simples, como uma criança que assina algo para dizer que aprendeu: escrever meu nome nos caminhos da UFBA. 

GPS drawing - MIGUEL, 2024

Esse ato tem até uma carga metafórica, pensando na minha conclusão de curso no Bacharelado Interdisciplinar em Artes e na minha continuação acadêmica na Escola de Teatro. Analisei o caminho por cima, tracei na minha cabeça a rota e andei. Precisei algumas vezes parar o registro e retomá-lo, para não bagunçar as linhas e conseguir caminhos mais legíveis, mas, para uma primeira experiência com esse meio, fiquei feliz com o resultado. 

Já fiquei com vontade de explorar os mapas de Salvador e pensar que outros desenhos estão esperando para serem revelados nos caminhos da cidade. Andar revela segredos e também pode ser um ato performativo.


Miguel Gouvêa Lordello

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